AEsPCEx participa da celebração dos 86 anos da EsPCEx
Associação apoiou o plantio da 86ª muda de pau-brasil no Bosque da Tradição e a premiação do Concurso Literário
Em 17 de setembro, a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) celebrou 86 anos de fundação e de dedicação à missão de selecionar e iniciar a formação dos futuros oficiais combatentes do Exército Brasileiro, que prosseguirão seus estudos na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN).
Para marcar a data, a Associação dos Ex-Alunos e Amigos da EsPCEx (AEsPCEx) apoiou a Escola na realização de atividades que reuniram alunos, militares, ex-alunos, familiares e convidados.
Plantio da 86ª muda de pau-brasil no Bosque da Tradição
Na manhã de 17 de setembro, as comemorações começaram no Bosque da Tradição, com o plantio da 86ª muda de pau-brasil. A árvore, símbolo nacional, passa a representar a Turma General Zenildo de Lucena de 2026 e os soldados incorporados no mesmo ano.
Com o novo plantio, o bosque passou a reunir 86 árvores de pau-brasil, uma para cada ano transcorrido desde a criação da Escola Preparatória, em 1940.
Estiveram presentes, familiares do Major Beraldo, que foi o precursor das iniciativas de sustentabilidade e preservação ambiental na Escola e um dos idealizadores do Bosque da Tradição.
A cerimônia contou com a participação especial de integrantes da Turma Bicentenário de Campinas (1974-1976), que, em 2026, comemora 50 anos de formação na EsPCEx. Como representante das 85 turmas anteriores, o Coronel Lunardi, militar mais antigo da Turma de 1976 presente à solenidade, entregou a muda ao Aluno Claviculário Matos Gonçalves, o mais jovem da Turma General Zenildo de Lucena, e ao Cabo Nogueira, Praça Mais Distinta da incorporação de 2026 da Companhia de Comando e Serviços da EsPCEx.
Juntos, o Aluno e o Cabo realizaram o plantio. Destinada a florescer e frutificar no Bosque da Tradição, a nova árvore registra a passagem desses jovens pela Instituição e mantém vivas suas raízes com a Escola onde tudo começa.




O Aluno Matos Gonçalves e o Cabo Nogueira realizam o plantio da muda de 2026



Premiação dos vencedores do Concurso Literário
Ainda em 17 de setembro, durante a solenidade militar noturna em comemoração ao 86º aniversário da Escola, foram premiados os vencedores do Concurso Literário promovido pela Cadeira de Português da EsPCEx.
Com o tema “Escola Preparatória de Cadetes do Exército: Onde Tudo Começa!”, a Aluna Yumi, da 1ª Companhia, venceu na categoria prosa. O Aluno Lagrotta, também da 1ª Companhia, conquistou o primeiro lugar na categoria poesia.
Os futuros cadetes da AMAN receberam os prêmios oferecidos pela AEsPCEx das mãos do Diretor-Presidente, General de Divisão R/1 Jamil Megid Júnior, e da Diretora Sociocultural, Sra. Ana Clara de Mello e Silva.



Texto vencedor na categoria prosa

Dizem que algumas despedidas começam muito antes de alguém perceber que está indo embora. Naquela manhã, ele ainda não sabia disso. Estava sentado no último degrau da arquibancada, enquanto o pátio lentamente se enchia. O sol ainda não havia vencido completamente o frio, e uma fina névoa repousava sobre os telhados da escola. Em poucos minutos, sua turma estaria formada diante do palanque. Era o último dia. Ele deveria estar feliz. E estava. Mas havia uma espécie estranha de silêncio dentro dele. Olhou para as próprias mãos. Já não pareciam as mesmas. Lembrou-se de quando as usava para segurar os papéis do concurso, ainda em casa, tentando decorar matérias que pareciam intermináveis. Lembrou-se da ansiedade antes da prova, da espera pelo resultado, da ligação que fizera para casa quando descobrira que havia conseguido. Lembrou-se, sobretudo, do dia em que chegou. O pai havia parado o carro diante dos portões.
- É aqui?
Ele olhara pela janela.
Era.
Por alguns segundos, ninguém saiu do carro. Havia coisas que não precisavam ser ditas. O pai desligou o motor.
- Então vai.
Ele abriu a porta. Pegou a mala. Deu alguns passos. E parou. Olhou para trás. O pai ainda estava no carro. Não houve abraço cinematográfico. Não houve discurso. Apenas um aceno curto através do vidro. Ele respondeu da mesma maneira. Então entrou. Foi assim que começou. Não com uma marcha, não com uma corneta, não com uma farda. Começou com um garoto atravessando um portão sem saber que, ao fazê-lo, deixava para trás uma versão inteira de si mesmo.
Agora, sentado naquela arquibancada, ele compreendia. A escola não havia lhe dado todas as respostas que imaginara encontrar. Ao contrário, havia lhe dado perguntas. O que significa servir? Quanto de si um homem precisa abandonar para cumprir um dever? Até onde vai a própria vontade quando existe algo maior do que ela? Ele não sabia responder a todas. Talvez nunca soubesse. Mas aprendera a conviver com elas. Aprendera também outras coisas que não estavam nos livros: que a saudade aparece nos momentos mais inesperados; que o silêncio entre amigos pode dizer mais que uma conversa inteira; que existem noites em que tudo o que se deseja é voltar para casa - e manhãs em que se agradece por ter ficado. E aprendeu que o homem não é feito apenas das grandes decisões.
É feito, sobretudo, das pequenas vezes em que poderia ter desistido e não desistiu.
O toque da corneta o trouxe de volta. Era hora. Ele se levantou e caminhou até a formação. Os companheiros estavam ali, os mesmos que um dia haviam chegado estranhos uns aos outros e que agora conheciam suas histórias, suas limitações, seus silêncios. A voz de comando ecoou. Todos ficaram em posição. Ele ergueu os olhos. Por um instante, imaginou aquele mesmo pátio vazio, muitos anos antes. Talvez alguém tivesse sonhado ali. Talvez alguém tivesse feito uma promessa. Talvez outra geração tivesse marchado pelo mesmo chão, carregando exatamente a mesma esperança que agora carregava.
Foi então que entendeu.
A EsPCEx não era apenas uma escola. Era uma passagem. Um lugar onde chegavam jovens procurando uma profissão e começavam a descobrir uma vocação; onde chegavam indivíduos e aprendiam a pertencer a algo maior que si mesmos; onde chegavam com um futuro imaginado e saíam com a responsabilidade de construí-lo.
O comandante começou a falar. Ele ouviu apenas algumas palavras. Porque, naquele instante, seus olhos encontraram os portões. Os mesmos. E, por detrás deles, por um breve segundo, viu aquele garoto novamente: a mala na mão, o medo escondido, o sonho ainda sem nome. Dessa vez, porém, não olhou para trás. Apenas sorriu. Porque finalmente compreendia uma coisa que não poderia ter entendido no primeiro dia: há lugares para os quais nós chegamos pensando que estamos começando alguma coisa, quando, na verdade, estamos apenas continuando aquilo que já havia começado dentro de nós. A cerimônia terminou. O pátio começou a se esvaziar. Ele caminhou. E, quando atravessou os portões pela última vez, não sentiu que estava deixando a EsPCEx. Sentiu que a estava levando consigo. Porque algumas escolas terminam quando seus muros ficam para trás. Outras continuam marchando dentro daqueles que um dia passaram por elas. E talvez seja por isso que, para tantos, a EsPCEx nunca será apenas o lugar onde estudaram. Será sempre o lugar onde, pela primeira vez, aprenderam a olhar para o horizonte e entender que ainda havia muito caminho pela frente.
Porque algumas histórias começam com uma chegada. Aquela começou com um portão:
EsPCEx, onde tudo começa!
Texto vencedor na categoria poesia

Antes do posto, antes da farda, antes do nome gravado em dragona, existe Campinas, existe um prédio de mais de meio século de história, guardando o primeiro degrau de uma escada que ainda hoje sobe rumo a Resende.
Aqui não se chega por acaso. Chega-se por edital, por prova, por quatrocentas vagas disputadas entre milhares que sonharam com o mesmo endereço. Um em cada dez lugares também é ocupado por mulheres que escolheram a mesma estrada.
Um ano - só um -para aprender o que a faculdade ensina e o que nenhuma faculdade ensina: horário que não se atrasa, farda que não se amassa, palavra que, uma vez dada, não se desdiz.
Onde tudo começa não é o lugar da chegada, é o lugar da pergunta: Quanto você aguenta quando ninguém está olhando?
Vêm do Norte, do Sul, do interior, de sotaques que se estranham e depois se completam. Dividem beliche, dividem cansaço, dividem a véspera da prova como quem divide o mesmo medo. Ninguém manda gostar do outro; a rotina é que ensina a precisar dele.
Depois de Campinas, vem Resende. Depois de Resende, o posto. Depois do posto, o tempo que só se mede em comando. Mas nada disso se sustenta sem o que se aprendeu primeiro: que, antes de mandar, alguém precisa ter obedecido; que, antes de exigir, alguém precisa ter cumprido sozinho.
Onde tudo começa não é o fim de uma juventude, é o início de uma pergunta que o civil raramente se faz: Que tipo de oficial eu quero ser, quando ninguém estiver contando os erros?
A resposta não cabe em edital. Ela se escreve devagar, entre a saudade e a formatura, entre o exercício e o descanso, até que o aluno que chegou não seja mais o mesmo que, um dia, parte para Resende -não porque tenha se transformado em outro, mas porque, enfim, entendeu onde, de fato, tudo começa: EsPCEx, Brasil!
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